Projeto pedagógico de escola de Petrópolis entra no mapa da inovação e criatividade do Ministério da Educação.

Tornar a sala de aula mais participativa, interativa e atrativa, sem perder a aprendizagem: o que é considerado um desafio em todo o Brasil começou a se tornar uma realidade neste ano para alunos da Escola Municipal Alto Independência, em Petrópolis/RJ. O Projeto Independência reúne 60 estudantes do 3º, 4º e 5º ano, com uma proposta diferente de aprendizado, voltado para a realidade local. O projeto foi um dos 178 selecionados no Mapa da Inovação e da Criatividade da Educação Básica, feito pelo Ministério da Educação – a chamada pública contou com mais de 700 unidades inscritas.

O prefeito Rubens Bomtempo lembrou que o projeto surgiu a partir de um encontro dele com o educador português José Pacheco, uma referência na área de educação em todo o mundo. A reunião, que contou com a participação também de profissionais da Secretaria de Educação e da Secretaria de Ciência e Tecnologia, foi o pontapé inicial para o trabalho. “Sua experiência nos motivou ainda mais a buscar novos projetos para a nossa rede. O trabalho desenvolvido na Escola Municipal Alto Independência representa o que buscamos: escolas cada vez mais vivas, mais integrada com a realidade dos alunos”, disse.

No Projeto Independência, o conteúdo – embasado na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LBD) e no Plano Nacional de Educação (PNE) – é adaptado para a vivência e a realidade da comunidade. Os alunos realizam a pesquisa histórica sobre a região e ajudam a identificar os problemas e as soluções para o bairro, exercitando a consciência crítica das crianças. A partir desta pesquisa, surgem os temas curriculares de cada matéria. Todo o ambiente foi criado pelos alunos, que dividem responsabilidades. A avaliação é feita constantemente, a partir das habilidades que os alunos desenvolvem com cada conteúdo em sala de aula.

A ideia de humanizar a prática escolar está em tudo: desde a mediação de conflitos entre os alunos até o formato das salas de aula – em vez de carteiras enfileiradas, os alunos estudam em grupo. Alunos de 3º, 4º e 5º ano estudam juntos, reforçando a troca de experiências e estimulando a cooperação entre eles. O material escolar é coletivo, e todas as regras de convivência foram pactuadas entre professores e alunos. O trabalho envolve a comunidade, unindo a escola aos outros equipamentos públicos e sociais.

E, em um mês, o conceito de humanização já trouxe resultados. “Sentimos uma diferença grande. Agora, há muito mais atenção no conteúdo que é transmitido, porque os alunos lidam com temas que interessam diretamente aos alunos. Consideramos a sala de aula como um espaço sagrado, e eles estão tendo consciência disso. Neste primeiro mês, sentimos que todos se sentem mais responsáveis”, revela a diretora da Escola Municipal Alto Independência, Cecília Pinheiro.

Para a diretora, os alunos têm maior facilidade com o método por tratar de questões que interferem na vida deles diariamente. “O conteúdo que está nos livros precisa ser estudado, mas a Educação não deve se limitar a isso. Tempos que expandir os nossos horizontes, fazer com que o ensino vá além da sala de aula, pois os alunos devem se apropriar do que é deles. Isso faz toda a diferença”, acredita.

A secretária de Educação, Maria Elisa Badia, acredita que a ideia pode gerar frutos e se espalhar pela cidade. “Apoiamos totalmente o Projeto Independência. Com ele, estamos olhando para o futuro do ensino”, afirmou. A ideia dos organizadores é que, em três anos, todos os 300 alunos da escola já estejam participando do projeto.

Projeto é intersetorial

O Projeto Independência é intersetorial. Participam educadores, um psicólogo, um representante do setor de Educação Integral da Secretaria de Educação, e uma representante de universidade. O modelo de ensino foi pensado pelo educador e pedagogo português José Pacheco, que idealizou a Escola da Ponte, em Portugal, e desenvolve o Projeto Âncora, em uma escola da periferia de São Paulo. O professor visita periodicamente Petrópolis para observar o desenvolvimento do projeto, dialogando com os educadores envolvidos e representantes da Secretaria de Educação. “Sou muito grato a todos os envolvidos, pessoas que ainda têm esperança na educação. Quando falamos em inovar, falamos em um mudar inclusive o campo diretivo, com uma gestão horizontal, e acredito que Petrópolis pode ser uma referência para isso”, ressaltou.

Desde julho de 2015, quando a direção da escola informou os pais de alunos, a comunidade abraçou o projeto. Prova disso é que, contrariando as expectativas, a demanda foi maior do que o número de vagas ofertadas (60 vagas foram oferecidas, e cerca de 130 pais inscreveram seus filhos). “Fizemos diversas reuniões no ano passado, explicando como seria, e percebemos que eles se entusiasmaram com a ideia”, disse Cecília Pinheiro.

O Projeto Independência, desenvolvido pela Escola Municipal Alto Independência, tem o apoio das empresas EcoHabitare (do educador José Pacheco), e da organização não-governamental Parceiros da Educação, e foi baseado em cinco eixos: a reformulação da gestão escolar, com a implantação de um Conselho Gestor e a divisão de responsabilidades com os alunos (que, organizados em três grupos de 20 pessoas, apontam a situação de cada área da escola, como a limpeza interna e externa); a reconfiguração do currículo escolar, dentro da área de interesse dos alunos, sem apresentar defasagem em relação ao ensino tradicional; repensar os ambientes escolares; e um novo olhar para a metodologia.

O Programa de Estímulo à Criatividade na Educação Básica, do Ministério da Educação, teve o objetivo de criar as bases para uma política de fomento à inovação e criatividade na educação básica, estabelecendo parâmetros e referenciais, dando a extensão, fortalecendo as organizações educativas inovadoras e criativas, criando, ampliando e qualificando a demanda; e promovendo a formação de educadores abertos e qualificados para novas práticas, reorientando as políticas públicas de educação básica, entre outros conceitos.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Petrópolis


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